Março de 2025
Número 03
Oioi! Como você tá? Hoje, vou comentar sobre as peças A Banda Épica na Noite das Gerais, Os Irmãos Karamázov, Nora e a Porta, Petra e Prima Facie. Também vou falar de dois espetáculos que assisti na Mostra Internacional de Teatro de São Paulo (MITsp).
A BANDA ÉPICA NA NOITE DAS GERAIS (2025), de Sérgio de Carvalho [Cia. do Latão]
O novo espetáculo da companhia do Latão é uma criação coletiva a partir de um argumento de Sérgio de Carvalho, também diretor do espetáculo. Em 1972, uma banda de rock alternativo se vê perdida numa estrada de terra na região do Rio Doce, interior de Minas Gerais, após o ônibus da turnê quebrar. Buscando ajuda, eles encontram uma jovem local que trabalha no bar de sua madrinha para onde a banda acaba se deslocando enquanto espera alguém que possa consertar o ônibus.
A região do Rio Doce foi marcada por disputas de terra desde o tempo colonial, estendendo-se até a ditadura militar. Ainda em 1808, Dom João VI declarou guerra aos indígenas Krenak para expandir a colonização na área. Já durante a ditadura, a Polícia Militar de Minas Gerais entrou em um acordo com o Serviço de Proteção ao Índio para criar o Reformatório Agrícola Krenak. A princípio uma escola de agricultura, um espaço para reeducar indígenas que cometessem delitos, o reformatório, na verdade, era um verdadeiro campo de concentração. Ele foi desativado em 1972 e as famílias transferidas do local compulsoriamente, abrindo espaço para grilagem de terras.
E se não há mais indígenas ali, os membros da banda, na verdade, encontram uma caminhoneira lésbica que cria a jovem ao lado da dona do bar, um fazendeiro, um militar de baixa batente e o funcionário de uma grande estatal. Valendo-se da linguagem de um documentário “talking heads” (o que promove um efeito de distanciamento típico do teatro épico), o espetáculo evidencia o contraste entre uma juventude urbana que se pretende revolucionária e um “Brasil Profundo” permeado de complexidades.
Ainda que o pano de fundo do espetáculo seja a desapropriação dos territórios indígenas na região, esta temática acaba por ser apenas… o pano de fundo, bem lá no fundo, do espetáculo. O tema é tratado apenas por um número musical intitulado “Joaquim Grande” - bonito, emocionante, mas com pouco destaque na situação dramática da obra. Nesse sentido, fez falta a presença de ao menos um ator ou atriz de origem indígena para interagir com os membros da banda e ser a voz que embala a canção.
O espetáculo musical “A Banda Épica na Noite das Gerais” esteve em cartaz no Teatro Raul Cortez (Sesc 14-bis) entre os dias 14 de fevereiro e 16 de março.
NORA E A PORTA (2025), de Marina Corazza
Nesta peça, Marina Corazza adapta um clássico da dramaturgia, A Casa de Bonecas (1879), de Henrik Ibsen, para os dias atuais. A trama se mantém essencialmente a mesma: Nora, se encontra presa em um casamento sufocante ao mesmo tempo em que é chantageada por um colega do marido; o homem a ameaça de revelar ao esposo que ela teria forjado a assinatura do pai para pagar os custos de um tratamento médico.
Sob a direção de Sandra Corveloni e Maristela Chelala, a nova versão também se vale de recursos típicos do teatro épico para jogar luz nos temas da peça: não só o caráter performativo dos papeis de gêneros empenhados por Nora (interpretada por Rita Pisano) e Marcelo (André Garolli), como o jogo de aparências de uma classe média alta para manter seu status e conforto. Muitas vezes, a ação é interrompida pelo próprio elenco que parece voltar à sala de ensaio para discutir os temas da peça e o que teria levado Nora a sair pela porta de casa no fim da história para não voltar mais.
Muito se fala sobre como Casa de Bonecas explora a estrutura opressora do patriarcado que levou Nora a abandonar seu marido e filhos, porém pouco se fala de outro aspecto presente na opressão sofrida por Nora: a pressão econômica. Nesse sentido, um momento particularmente interessante da montagem é quando a protagonista e sua amiga de infância (Adriana Mendonça) simulam um “Jogo da Vida” para mostrar como as classes sociais em que cada uma nasceu facilitaram (ou dificultaram) para que elas conseguissem melhorar suas condições de vida; como a mobilidade social “para cima” é uma ilusão. Porém, ainda que Nora pareça estar bem de vida, ela também tem seus problemas com dinheiro e se aproxima da falência.
Em 1879, as mulheres norueguesas eram proibidas de fazer qualquer tipo de transação econômica sem o consentimento do marido e é por isso que a protagonista de Ibsen forja a assinatura de seu pai. Porém, em 2025, o que levaria a Nora de Corazza a pedir dinheiro emprestado a um agiota? É certo que ela e Marcelo estão segurando as pontas depois de comprar uma casa num condomínio de luxo mais afastado da cidade; mas ela deixou de trabalhar para cuidar do lar, então porque ela (uma mulher com diploma de faculdade) não volta a trabalhar para ajudar nos custos?
Algumas perguntas permanecem sem resolução ao final do espetáculo. De Ibsen a Corazza, Nora continua sendo aquela figura que realiza o sonho de muitas mulheres (e até homens): “um dia eu vou embora e vocês nunca mais vão saber de mim”; largar tudo, seja a família ou o trabalho. Mas e depois? A Nora de Ibsen dificilmente conseguiria se sustentar na sociedade patriarcal da segunda metade de 1800. A Nora de Corazza não teria essas dificuldades, mas ela ainda precisaria passar por toda a papelada do divórcio com Marcelo; e quem pagaria o agiota? Será que aqueles homens usarão Nora como bode expiatório caso o escândalo do empréstimo fraudulento venha à público? O grande problema é que continua sendo muito difícil desbaratar os nós do passado para que possamos ter um futuro livre.
“Nora e a Porta” esteve em cartaz no Espaço Cênico do Sesc Pompeia entre os dias 27 de fevereiro e 21 de março.
OS IRMÃOS KARAMÁZOV (2024), de Caio Blat e Manoel Candeias
Em uma situação que parece cada vez mais rara de acontecer no Sesc Pompeia, ambas as arquibancadas de seu teatro foram utilizadas para a encenação de Os Irmãos Karamázov - apresentado no Teatro Arena do Sesc Copacabana (Rio de Janeiro, RJ) no início desse ano. Dirigida por Caio Blat e Marina Vianna (ambos também integram o elenco), a peça condensa o calhamaço de Dostoiévski para duas horas de espetáculo, optando por enquadrar a trama no período dos três dias que antecedem o fratricídio de Fiódor Karamázov (Babu Santana). O enredo é conduzido a partir do ponto de vista de “Aliocha” (Nina Tomsic), que é dispensado da ordem religiosa na qual atua para mediar os conflitos entre os homens Karamázov; conflitos estes centralizados na figura do irmão mais velho, Dmitri (Luisa Arraes) e as mulheres com as quais está envolvido.
Assisti ao espetáculo sem ter lido o romance de Dostoiévski, sem sequer ter procurado por um resumo da obra para poder me ambientar. Como alguém que desconhecia o livro, a apreensão do espetáculo não foi prejudicada de maneira alguma e acredito, inclusive, que a peça seja uma introdução muito interessante ao romance. O que talvez demonstre que o projeto de Caio Blat tenha funcionado, uma vez que as intenções do artista eram justamente fazer um espetáculo que fosse popular - tem-se a impressão de que as obras do Dostoiévski seriam muito densas ou até enfadonhas de se ler, mas vale lembrar que elas eram publicadas em folhetins, como novelas, sendo muito populares em sua época.
A produção do espetáculo vai além em sua tentativa de popularização ao colocar duas tradutoras de Libras como atrizes em cena, garantindo a acessibilidade do espetáculo para pessoas surdas em todas as apresentações - em alguns momentos, os próprios atores ao interpretarem seus papeis também utilizavam as Libras como gestual. Esta é uma proposta que, felizmente, tem pipocado nos palcos brasileiros, os musicais infanto-juvenis O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá (2022) e Mundaréu de Mim (2023), ambos produzidos pelo iBT, também colocam um intérprete-ator interagindo diretamente com a cena. O espetáculo também deixava um livro-tátil disponível no saguão do teatro para pessoas com deficiência visual poderem manejá-lo e, assim, conhecerem as texturas dos figurinos e de demais objetos de cena que aparecem no decorrer da peça - é uma medida que, inclusive, agrada as pessoas que possuem visão porque não deixa de ser um moodboard, um “tira-gosto”, do que vai ser apresentado.
Algo que tem sido bastante comentado sobre Os Irmãos Karamázov é a escalação do elenco: ao mesmo tempo em que Luisa e Nina interpretam dois dos irmãos Karamázov, Pedro Henrique Muller se divide entre os papeis de Smerdyakov (filho bastardo de Fiódor) e Catierina (noiva de Dmitri e amante de Ivan, este interpretado por Caio Blat). Babu Santana, um homem negro, é escalado para ser o pai de personagens interpretado por atrizes brancas. A “falta de preocupação” se o gênero do intérprete é o mesmo de sua personagem ou a prática do colorblind casting já são bastante comuns no teatro Britânico e também na cena operística, por exemplo, mas ainda tem certo teor de novidade para o público teatral brasileiro. Ainda que estas práticas de escalação de elenco tenham suas limitações em termos de representatividade, elas são muito interessantes quando as diferenças entre ator/atriz e seus personagens iluminam aquilo que há de comum entre esses dois seres, quando a humanidade da pessoa se revela.
“Os Irmãos Karamázov” iniciou sua temporada no Sesc Pompeia dia 25 de fevereiro e faz sua última apresentação hoje, 30 de março. Os ingressos estão esgotados.
PETRA (1971), de Rainer Werner Fassbinder [Cia.BR116, 2024]
Dirigida por Bete Coelho e Gabriel Fernandes, a montagem da Cia.BR116 traz a peça do cineasta alemão novamente aos palcos. Na trama, a estilista Petra (Bete Coelho) acaba de deixar seu marido quando conhece Karin (Luiza Curvo), uma jovem recém chegada da Austrália e procurando emprego, e as duas começam um relacionamento amoroso conturbado. Apesar de seu amor fervoroso por Karin, Petra não consegue domesticá-la e o desenvolvimento deste relacionamento acaba por afetar as amizades de Petra, o relacionamento que ela tem com sua mãe (Renata Melo), filha (Miranda Frias) e sua assistente pessoal Marlene (Lindsay Castro Lima).
Numa peça onde há apenas personagens femininas, é interessante reparar nos registros da atuação de cada uma das atrizes. A peça é enquadrada pelo olhar de Marlene, uma personagem que não emite uma palavra sequer, fazendo com que Lindsay precise equilibrar uma grande expressividade com a sobriedade e discrição que a profissão da personagem exige - o resultado é de uma atuação muito próxima ao Expressionismo Alemão. Por outro lado, Bete cria uma Petra von Kant afetada, próxima das grandes atrizes da Velha Hollywood e um tanto delirante (não muito diferente da personagem que interpretou em Ana Lívia). A Sidonie de Clarissa Kiste segue o mesmo registro: ao lado de Petra, a personagem demonstra o jogo de aparências e interesses mantidos pelas elites. Tudo isso é quebrado com a chegada de Karin: a atuação de Luiza é mais despojada, ela entrega suas falas na lata como quem diz o que pensa - e talvez seja justamente esse o fascínio que ela imprime em Petra.
Ao mesmo tempo, a peça nos deixa a impressão de que Petra vê na Karin uma versão mais jovem de si mesma. Ambas compartilham a mesma impressão negativa sobre a “humildade” com a qual mulheres devem ter para com seus maridos, rejeitando a submissão (ainda utilizada para manipulá-los); o casamento de Karin também parece estar se encaminhando para ter o mesmo final que o de Petra. O amor de Petra é um tanto narcísico. Assim, mais do que a descoberta da sexualidade na vida adulta, a jornada de Petra também passa por uma descoberta de si mesma.
A segunda temporada de “Petra” esteve em cartaz no Teatro Sérgio Cardoso entre os dias 07 e 30 de março. Ainda há ingressos disponíveis no Sympla para a sessão de hoje às 16h.
PRIMA FACIE (2019), de Suzie Miller
Neste mês, fui assistir novamente a montagem brasileira do monólogo Prima Facie, dirigida por Yara de Novaes e interpretada por Débora Falabella. Eu escrevi sobre o monólogo nos Destaques do Teatro Paulistano em 2024, devido a primeira temporada paulistana da peça. Hoje, o espetáculo faz sua última apresentação no Teatro Vivo e, depois, seguirá para uma temporada no Teatro FAAP.
Neste monólogo, testemunhamos o relato de Tessa, uma advogada especializada em defender abusadores sexuais. Ela é muito crente no funcionamento do sistema de justiça e em sua capacidade de chegar à verdade; ela explica que seu trabalho de defesa está em apenas mostrar um outro lado da história e deixar o júri decidir, seu trabalho consiste apenas em demonstrar as inconsistências nos depoimentos das vítimas e, assim, havendo espaço para dúvida, seria possível absolver seu cliente. Tudo muda quando ela mesma se torna vítima de um estupro e decide ir adiante com a acusação.
Se na primeira vez que assisti ao espetáculo o que chamou a atenção foi o quanto me senti baqueado (talvez desolado, talvez indignado) ao sair do teatro; nesta segunda vez, pude apreciar o quanto o texto de Suzie Miller, a direção de Yara e a interpretação de Débora se combinaram perfeitamente para criar um espetáculo capaz de mexer tanto com a plateia. Não é que apenas um destes elementos se destacam, até porque as três merecem seus louros, é que Prima Facie demonstra como essa união de forças é necessária para criar algo memorável.
A segunda temporada paulistana de “Prima Facie” esteve em cartaz no Teatro Vivo entre 07 de fevereiro e 30 de março. Nesse meio tempo, o espetáculo também fez duas apresentações no Festival de Curitiba nos dias 25 e 26 de março. Em 12 de abril, o espetáculo inicia sua terceira temporada paulistana no Teatro FAAP.
SERVIÇO - Temporada Teatro FAAP
Que dias? Sextas e sábados às 20h; domingo às 17h
Até quando? 08 de junho.
Quanto custa? R$80,00 (meia-entrada) e R$160,00 (inteira)
Como posso comprar os ingressos? Na bilheteria do teatro ou no website do Teatro FAAP.
GAVIOTA (2023), de Juan Ignacio Fernández [Argentina / MITsp]
Dirigida por Guillermo Cacace, esta montagem adapta a peça de Tchekhov para um elenco inteiramente feminino ao mesmo tempo em que enxuga parte da trama, mantendo apenas cinco de seus onze personagens originais: Arkádina (Raquel Ameri), Trepliov (Muriel Sago), Nina (Romina Padoan), Trigorin (Marcela Guerty) e Macha (Clarisa Korovsky). Como já contextualizei a obra do dramaturgo russo no primeiro número desta newsletter, irei passar direto para os comentários sobre o espetáculo em si.
Além da redução do texto ao seu essencial e do elenco enxuto, nesta adaptação o público se amontoa em arquibancadas dispostas numa arena quadrada. No centro dessa arena há uma mesa – cheia de salgadinhos já comidos e algumas taças de vinho pela metade – ao redor da qual as atrizes se sentam e, valendo-se de microfones, dizem as suas falas (é possível sentar-se ao lado delas). Esse cenário remete mais a um ensaio que uma peça pronta, uma leitura de mesa; os microfones e a proximidade com o público, permitia que as atrizes pudessem entregar suas falas em um tom mais introspectivo.
Ao mesmo tempo em que estes elementos conferiam um caráter mais introspectivo (talvez melancólico) para a peça, eles nos convidavam a imaginar o que está sendo narrado e, assim, reforçando o teor atemporal da história. Se as últimas três grandes peças de Tchekhov estão situadas em um período específico da História Russa, na qual há uma mudança de classes sociais dominantes, os temas de A Gaivota conseguem extrapolar essa especificidade; afinal eles giram em torno de amores não-correspondidos, conflitos entre mãe e filho, a sensação de fracasso diante da realização dos próprios sonhos, permeados por discussões sobre o estado da arte que parecem nunca terem sido resolvidas.
O agrupamento humano ao redor de uma mesa, a proximidade com as atrizes, o convite para a imaginação remontam a tradição da contação de histórias tão comum à humanidade desde os seus primórdios. Talvez seja por isso que, ao nos aproximarmos do final derradeiro da narrativa, reparei como minhas colegas de plateia pareciam baqueadas por aquilo que acabaram de assistir. Mais do que um grito de denúncia ou um divertimento para descontrair, Gaviota é um convite para voltarmos o olhar para nós mesmos.
“Gaviota” (Gaivota) foi apresentada na cúpula do Theatro Municipal de São Paulo nos dias 15, 16, 17 e 18 de março. Em sua passagem pelo Brasil, o espetáculo também será apresentado durante o Festival de Curitiba no Teatro Cleon Jacques amanhã (31 de março) e terça (1º de abril); os ingressos estão esgotados.
A VIDA SECRETA DOS VELHOS (2024), de Mohamed El Khatib e Camille Nauffray [França e Bélgica / MITsp]
A terceira idade é um momento da vida de uma pessoa no qual novos desafios se apresentam impondo uma nova rotina e uma outra maneira de enxergar e lidar com a vida: o corpo já não é mais o mesmo, sendo necessário passar por uma bateria de exames e cuidados em um volume bem maior que em idades anteriores; talvez a lucidez comece a minguar, ou a audição, ou a visão; a relação entre pais e filhos se inverte, fazendo com que os adultos se tornem responsáveis pela saúde e bem estar de seus genitores; as memórias tomam um peso mais significativo; amizades começam a falecer e a mortalidade se torna um dado cada dia mais concreto. Em meio a tantas mudanças, um aspecto da velhice parece ser esquecido pela sociedade: o amor romântico, o desejo e a sexualidade.
É comum enxergar os idosos como pessoas assexuais, imaginar que a fragilidade do corpo resulte diretamente na extinção do desejo. Então, em A Vida Secreta dos Velhos, um grupo de cinco idosos e uma cuidadora, sobem ao palco em uma espécie de peça-documentário para relatar suas experiências com a exploração da sexualidade e das relações amorosas durante a velhice. Todos os aspectos mencionados acima são tratados, sempre a partir desse tema central. Os depoimentos relatam experiências de se apaixonar novamente, em especial por colegas de asilo. Falam como nem sempre as famílias enxergam este novo romance como algo positivo e como esta situação é delicada já que, em casos de senilidade, recai sobre os filhos e cuidadores a responsabilidade de compreender se há consentimento de ambos idosos envolvidos no romance.
Causos tanto comoventes como divertidos são relatados aos espectadores. É interessante reparar como o espetáculo se vale do humor para ressaltar o quão cotidiano e comum é sentir tesão, transar e/ou se apaixonar na terceira idade. Com apenas 70 minutos de duração, o espetáculo não seria capaz de abraçar todas as particularidades deste momento: fala-se um tantinho sobre a ausência de pessoas racializadas em asilos (seja porque o ato de relegar os cuidados de idosos a terceiros não faz parte da cultura dessas pessoas; seja por falta de capital financeiro); fala-se outro tantinho sobre relacionamentos homoafetivos. Só que nestes 70 minutos de duração, o elenco de A Vida Secreta dos Velhos é capaz de dar início a uma discussão de um tema pouco observado; mais do que isso: em um espetáculo divertido e caloroso, eles nos mostram como ainda há muita Vida durante a terceira idade.
“La Vie Secrète des Vieux” (A Vida Secreta dos Velhos) foi apresentada no Sesc Vila Mariana nos dias 21, 22 e 23 de março.

🟢 Textos sobre Teatro publicados na Revista Galérica
* Quatro olhares para ‘Ainda Estou Aqui’ Colaboradores analisam o filme de Walter Salles
* Trouxe este texto aqui porque, apesar dele falar sobre um filme, minha contribuição relembra a trajetória de Fernanda Torres, dando destaque para seus trabalhos nos palcos.
Até a próxima! 👋
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