Agosto de 2025
Número 08
Oi! Tudo bem? Nesta edição, vou comentar sobre as peças Fica Comigo Esta Noite, A Médica, ORioLEAR e sobre a Trilogia Wesker.
FICA COMIGO ESTA NOITE (1988), de Flávio de Souza [Aveia Cômica, 2024]
Às vezes, tudo o que uma peça precisa para ser boa é um texto divertido, atores experientes para defendê-lo e uma direção que saiba promover a união destes dois elementos. É isso que o público recebe na nova montagem de Fica Comigo esta Noite e o resultado é cativante.
A trama é simples, se passa no decorrer de uma noite. Uma mulher (interpretada por Marisa Orth) recebe amizades e familiares em sua casa para o velório de seu marido (Miguel Falabella). Ela optou por velar o falecido no quarto, onde ele repousa na cama, como uma tentativa de passar uma última noite com ele. Enquanto ela atende às visitas, o público também tem acesso aos pensamentos do morto. Eventualmente, as duas almas se encontram no limiar entre a vida e a morte para a última noite juntos e um acerto de contas.
Com relação aos seus temas (o fim da vida e relacionamentos conjugais) o texto de Flávio de Souza não se aprofunda muito. Seu trunfo está nos momentos de humor, especialmente ao retratar pequenos atos cotidianos; além da leveza com a qual leva a narrativa sem pesar o assunto ao falar de morte, ou sem colocar o casal para berrar um com o outro quando os desentendimentos aparecem – apesar das dificuldades, ainda há muito amor naquela relação.
É de encher os olhos a maneira com a qual Marisa domina a cena. A atriz participou da primeira encenação da peça, ainda em 1988, quando Carlos Moreno interpretava o marido. Na década de 1990, o espetáculo foi interpretado por Débora Bloch e Luiz Fernando Guimarães. Por fim, em 2007, Marisa retornou ao elenco, desta vez ao lado de Murilo Benício. Talvez seja esse conhecimento tão íntimo do texto, ou sua trajetória em dramas, comédias e musicais ao longo dos anos que traz segurança e precisão para a atuação de Marisa. Ela entrega suas falas com naturalidade e transforma o choro da personagem em riso para a plateia.
Já Miguel mostra seu lado mais tenro no papel do marido. Após anos colaborando com Marisa tanto na televisão como no teatro, a dupla demonstra estar confortável na presença um do outro, permitindo-se improvisar com o texto, brincar um com o outro e até a cometer pequenos erros sem jamais deixar a peteca cair ou perder de vista o enredo. A cumplicidade transborda dos atores para seus personagens, divertindo a plateia e mostrando como fazer teatro é mais gostoso em boas companhias.
“Fica Comigo esta Noite” entrou em cartaz no Teatro Bradesco dia 24 de julho e permanece em cartaz até 14 de setembro. A maioria dos ingressos ainda disponíveis é para PCDs e acompanhantes, mas você pode tentar a sorte na Uhuu!
A MÉDICA (2019), de Robert Icke [Círculo de Atores, 2025]
A nova montagem do Círculo de Atores tem tudo para ser aquele espetáculo queridinho das premiações. Clara Carvalho, uma atriz de alto calibre, lidera uma produção luxuosa com uma atuação precisa e firme. O elenco inteiro, aliás, é um desfile de intérpretes excelentes. A direção de Nelson Baskerville orquestra um desbunde visual. Só que o problema de A Médica é seu dramaturgo, o inglês Robert Icke: ele parece ter feito uma checklist de todas as minorias e assuntos “tabu” possíveis para abordar cada uma delas não como seu defensor, mas como o advogado do diabo.
A trama acompanha Ruth Wolff (Clara Carvalho), médica judia especializada em Alzheimer e presidente do comitê executivo de um hospital especializado em neurologia. Ocorre que, devido a uma superlotação no pronto-socorro, uma paciente de 14 anos, internada após a tentativa de um aborto caseiro mal realizado, cai em suas mãos – a menina está prestes a morrer. Um padre católico (Kiko Marques) vai ao hospital para confortar a garota, porém Ruth impede sua entrada no quarto afirmando que a presença dele poderá desestabilizar a menina e levá-la à morte. Com o tumulto que a interação dos dois causa no corredor, a jovem acaba morrendo mesmo assim. O problema se inicia quando alguém vaza o caso nas redes sociais e Ruth passa a ser linchada virtualmente. No decorrer da trama, fica evidente que foi Roger (Sergio Mastropasqua) quem vazou as informações numa tentativa de ele mesmo se tornar o presidente do hospital.
A peça é uma adaptação de Professor Bernhardi (1912), do dramaturgo vienense Arthur Schnitzler, na qual a discussão gira em torno das religiões judaica e cristã, denunciando o antissemitismo. A versão de Robert Icke expande os temas do texto para falar sobre machismo e a maneira como homens não conseguem ver mulheres bem-sucedidas em posições de poder e também para falar sobre racismo. Afinal, na “atualização” inglesa, um detalhe passa despercebido por Ruth: o padre em questão era um homem negro.
“Ué, Pedro, mas o Kiko Marques não é branco?” Pois é. Isso não é uma decisão de Nelson enquanto diretor, mas veio da própria montagem original, que colocava mulheres para interpretar homens, brancos para interpretar pretos e vice-versa. Com isso, a identidade, seja de gênero, seja racial (ou até mesmo a sexualidade) das personagens é revelada aos poucos no decorrer da peça com a desculpa de promover o debate sobre racismo e machismo.
O chamado blind casting já não é uma novidade, em especial no teatro britânico. Trata-se de uma prática na qual não se leva em consideração o gênero ou a raça do intérprete ao escalá-lo para interpretar determinada personagem. Isso torna possível um Hamlet no qual o elenco inteiro seja composto por atores pretos: ainda que não seja verídico que um príncipe da Dinamarca medieval tenha a pele escura, não é isso que importa na peça; o que importa são os dilemas enfrentados pelo protagonista, dilemas estes que podem ser vividos por qualquer ser humano. Conforme afirmou o ator Lucian Msamati em entrevista ao The Guardian: “o problema da terminologia ‘blind casting’ é se, na verdade, você está dizendo que a idade, a raça ou o gênero não são partes constituintes da experiência humana.”
Só que não é exatamente um blind casting o que ocorre em A Médica. A troca de atores pretos para atores brancos serve aqui enquanto parte da própria linguagem da peça. Ela serve para esconder a verdadeira identidade racial das personagens até que o espectador perceba por conta própria a verdadeira identidade ou até que o próprio personagem se auto-denomine. Chega a ser irônico ouvir Ruth afirmando acreditar que cada um tem o direito de escolher quem quer ser quando todos ao ser redor afirmam “eu sou um…!”
E se a escalação do elenco se constitui enquanto uma escolha de linguagem, o que as escolhas de Robert Icke (também diretor da montagem original) e de Nelson Baskerville têm a dizer sobre a identidade de seus personagens e o debate racial? A escalação de um ator branco para viver um personagem preto não deixa de ser uma situação delicada, por mais que o blackface não tenha sido empregado. Até porque, no fim das contas, a pauta racial está presente na trama de A Médica muito mais para ampliar a polêmica ao redor da escolha de Ruth do que efetivamente para discutir a empregabilidade de pessoas pretas em profissões de alta especialização ou para falar das dificuldades dessas mesmas pessoas pretas quando elas enfim conquistam este espaço.
Além da presença de Kiko no papel do Padre, na montagem brasileira temos uma atriz negra interpretando um médico branco e judeu; um ator negro interpretando um médico judeu; e um ator branco interpretando um médico negro. O resultado: o público fica confuso na tentativa de acompanhar a identidade das personagens. A sensação que se tem é que todos os personagens estão constantemente saindo do armário, suas identidades não são mais do que um simples plot-twist. E, se falo “sair do armário” não é por acaso: Ruth é lésbica e tem uma vizinha transgênero – é claro que você só descobre isso depois de algumas cenas e que essas características servem apenas para mostrar como Ruth seria uma mulher progressista.
Ao longo da trama, Robert Icke atacou temas como intolerância religiosa (contra cristãos), antissemitismo, misoginia, racismo, aborto, LGBTfobia, ética médica e ética da religião, a maneira tóxica como a internet opera e como a mídia tradicional tem se tornado submissa aos fóruns digitais. Tentando equilibrar tantos pratos, a profundidade com a qual cada tema é tratado ficou equivalente à de um pires. Ao se colocar como advogado do diabo de cada uma delas, todas essas minorias saíram perdendo. Qual a conclusão que a cena final chega sobre o imbróglio todo? Que estamos testemunhando o fim do mundo; que as mudanças são complexas e vitimizam profissionais competentes e inocentes em nome da nova moral. Não te parece um discurso reacionário?
A Médica tem tudo para ser aquele espetáculo queridinho das premiações. Se faz preciso, no entanto, questionar se o trabalho de profissionais tão gabaritados não está a serviço da normalização de um discurso reacionário. Por fim, ainda faltam dois puxões de orelha para Nelson e a equipe de produção. Em primeiro lugar: não se mostra o passo-a-passo de um suicídio em cena! O segundo lugar pode ser apenas um pequeno detalhe nas projeções, só que também é um detalhe a serviço da normalização de práticas nocivas: há dois momentos nos quais as telas de projeção mostram a figura da menina que morre no início da peça, essas imagens foram feitas por meio de IA Generativa. Repito aqui meu discurso de sempre: esta tecnologia foi desenvolvida em cima do roubo do trabalho de artistas; utilizá-la é ser conivente ao roubo de colegas de profissão, uma traição à própria classe e um tiro no pé.
“A Médica” iniciou sua temporada no Auditório do Masp no dia 20 de junho, onde permaneceu em cartaz até 24 de agosto.
ORioLEAR (2025), de Newton Moreno [Heroica Companhia Cênica]
Escrita e dirigida por Newton Moreno, ORioLEAR adapta a tragédia Rei Lear para a região agropecuária do Pará onde um ex-grileiro e latifundiário (Leopoldo Pacheco) decide dividir suas terras e oferecê-las, ainda em vida, como herança para suas três filhas. Antes de receber as propriedades, cada uma deve fazer uma declaração pública de amor a ele, porém a mais nova confessa ser incapaz de fazer tamanha demonstração. Nesta adaptação, antes que Lear possa deserdá-la, Cordelia (Simone Evaristo) ainda diz que pretendia doar sua porção aos indígenas que vivem na reserva ao lado como forma de restituição, desagradando ainda mais o pai.
O que sobrou do texto de Shakespeare nesta adaptação é apenas o esqueleto, sua sinopse. Foi necessário reescrever a peça de forma a encaixá-la em seus temas. Nesse sentido, fica evidente os pequenos momentos nos quais a dramaturgia de Newton preserva o original – e são nesses momentos em que Shakespeare é ouvido no auditório do Itaú Cultural que atrizes veteranas como Sandra Corveloni podem brilhar. O novo texto não chega aos pés do Bardo em desenvolvimento das tramas ou dos personagens e não há espaço para subtexto.
Ainda que tenham cortado subtramas importantes para a narrativa, o espetáculo se arrasta durante três longas horas, que se tornam enfadonhas devido às caricaturas criadas para as personagens da família do latifundiário. Tome como exemplo a personagem Regina (Michelle Boesche), criada a imagem e semelhança dos cantores de sertanejo aliados ao agronegócio e cuja atuação nas cidades do interior serve para monopolizar a cultura e tornar aceitável a devastação do agro. Esta personagem detém a maioria dos momentos cômicos da peça, não porque Michelle seja uma atriz particularmente engraçada, mas porque sua personagem é ridícula: ela não sabe que canta mal, ela cheira muito pó, ela é fútil e burra, e prefere passar seu tempo transando com o marido musculoso e igualmente estúpido – o nome da futura filha deste casal? Anistia. Essas caricaturas evidenciam que, no fim das contas, ORioLEAR prega para convertidos.
O maior problema da peça não está em ser uma adaptação ruim de Shakespeare. Mas está na maneira com a qual trata a pauta indígena. Ainda que seja um debate de grande importância para a conjuntura atual, a dramaturgia apresenta um discurso equivocado e muito próximo ao complexo do salvador branco. Ao tentar discutir a pauta ambiental em uma peça escrita na Inglaterra de 1600, Newton até conseguiu transpor o enredo para um contexto latifundiário, porém precisou criar um novo personagem (interpretado por Ronny Abreu) para falar sobre a demarcação e restituição de terras indígenas.
Este personagem indígena em muito se aproxima do estereótipo do “Magical Negro”: trata-se de um coadjuvante não-branco completamente destituído de sua comunidade, cercado de personagens brancos, e cuja única função dramatúrgica está em servir de escada para o desenvolvimento dos protagonistas brancos (e, também, para esclarecer a plateia, majoritariamente branca, sobre pautas raciais sem efetivamente desafiar o espectador). Muitas vezes, tal figura é dotada de poderes mágicos, utilizados para auxiliar o protagonista branco em sua jornada.
Ronny não só é o único ator de origem indígena no elenco, como também seu personagem é o único personagem indígena que vemos em cena. Não sabemos a qual tribo ou etnia o personagem pertence; no programa do espetáculo seu nome figura simplesmente como “Velho Indígena”. Por outro lado, o marido de Goneril (interpretado pelo pernambucano Jorge de Paula), um evangelista, tem um arco-dramático mais desenvolvido que o personagem indígena – este homem tem sua fé abalada ao perceber a corrupção de sua esposa, passando não só a apoiar a causa dos indígenas como também parece aderir a cultura daquele povo. Quando Cordelia reencontra seu pai, moribundo e delirante, ela implora para que o Velho Indígena ajude Lear a voltar a vida praticamente afirmando que a dor dela em ver seu pai falecer é igual a do povo indígena ao ver suas terras devastadas (essas dores te parecem equivalentes?) – o Velho Indígena cai na lábia dela e, num passe de mágica, faz Lear recobrar sua vitalidade e consciência. Do princípio ao fim de ORioLEAR, o Velho Indígena cumpre apenas a função de “guardião da floresta”, como se retirasse dos personagens brancos a responsabilidade de recuperar o meio ambiente devastado e resguardá-lo.
Tem-se a impressão que Newton Moreno não chamou um artista de origem indígena para colaborar na escrita desta adaptação. Tome de exemplo o próprio título da peça e sua premissa: de acordo com a mitologia elaborada para o espetáculo, “Lear” seria o nome do rio que atravessa as terras. Quando o latifundiário de Leopoldo Pacheco chegou naquele território, o povo que vivia ali o apelida com o nome do rio. Logo no início da peça, Cordélia convida o Velho Indígena para a festa de aniversário do pai em uma tentativa de sensibilizá-lo para apoiar os indígenas da reserva; é então que o Velho Indígena alerta: para impedir o desequilíbrio ambiental seria necessário restituir o nome do rio. E aí surge a pergunta: faz sentido que uma tribo indígena batize um rio como “Lear”, um nome britânico? Que significado o nome “Lear” teria para os povos originários?
Por mais que eu adore Shakespeare, o fracasso dessa adaptação em versar sobre a pauta indígena me leva a questionar se faz sentido usar a obra de um britânico, que viveu na virada do século 17, para versar sobre este tema. Defendo que não. Em uma peça cujo protagonista é um monarca branco, que desenvolvimento poderia ter um personagem indígena? Para todos efeitos o que Shakespeare tem a dizer sobre a pauta indígena é: nada
E, do nada, virá nada. Mais interessante do que se valer do Bardo para versar sobre temas tão atuais e urgentes, é ceder o espaço para que artistas indígenas subam aos palcos e falem por si mesmos. Para falar de emergência climática e pedir justiça para os povos originários, é necessário escrever novas dramaturgias.
“ORioLEAR” estreou no Itaú Cultural em 31 de julho, onde permaneceu em cartaz até 17 de agosto.
A TRILOGIA WESKER (1958-1960), de Arnold Wesker [Cia. Bípede, 2025]
A princípio, o que chama atenção no novo projeto da Cia. Bípede é o escopo da empreitada: a encenação simultânea de três peças, todas compondo uma trilogia que compartilha personagens e fios do enredo. O grupo estudou as melhores maneiras de equilibrar o trabalho do elenco, ensaiou durante seis meses quase diariamente e, sob a direção de Felipe Sales, ainda dobrou a aposta: cada peça se vale de uma linguagem teatral diferente — a primeira envereda pelo drama; a segunda é encenada como se estivesse em um picadeiro; e a última parte se pauta pelo teatro-fotografia ao modo de Robert Wilson (falecido este mês e a quem devo um in memoriam).
A trilogia foi escrita pelo dramaturgo britânico no contexto do pós-Segunda Guerra e acompanha diferentes braços de uma família desde o período entre Guerras e o tempo no qual o texto foi escrito. Cada uma à sua maneira, todas versam sobre a dissonância entre a utopia socialista e a realidade material dos trabalhadores (tanto operários como campestres). Em Canja de Galinha (1958), acompanhamos a família Kahn, imigrante e de origem judia, no decorrer das décadas sob a perspectiva da matriarca Sarah (Nanda Versolato) enquanto ela testemunha as mudanças sócio-políticas engatilhadas por eventos históricos, o adoecimento do marido e a partida de seus filhos do lar. Já em Raízes (1959), Beatie Bryant (Emília Helena) retorna ao campo para visitar sua família; a jovem traz consigo ideais socialistas que aprendeu com o então namorado Ronnie Kahn, mas seus parentes, trabalhadores rurais, não parecem ter tempo ou vontade de conhecer suas ideias. Por fim, em Estou Falando de Jerusalém (1960), Ada Kahn (Bea Lerner) e seu marido Dave Simmonds (Thiago Winter) abandonam a vida em Londres para viver no campo sob os ideais socialistas, mas a realidade material parece empurrá-los de volta para a capital.
Ao assistir a apresentação das peças, o que realmente chama a atenção é o desempenho do elenco. Lógico que o êxito e o fôlego com o qual a trupe se desdobra em três peças é digno de nota. Ao mesmo tempo, o mais interessante é vê-los se apropriando do texto, trazendo marcações próprias para compor as personagens e improvisando ao longo da noite. O resultado se apresenta em personagens muito vivos e em peças que, por mais verborrágicas que possam ser, caminham sem que o espectador perceba o tempo passar. Tendo acompanhado a maior parte das montagens da companhia, também é bonito perceber como seus atores e atrizes têm evoluído em sua técnica de atuação.
Não é de se estranhar que a peça favorita do público parece ter sido Raízes: a palhaçaria é um elemento já explorado em outros espetáculos da companhia e também ajuda a envolver o público graças ao humor. Se Canja de Galinha e Jerusalém valem-se muito dos debates para testar as premissas do socialismo, Raízes mostra essa dissonância por meio da própria situação que coloca sua protagonista – em especial nos momentos em que Beatie interage com sua mãe (interpretada por Renata Xá): ainda que exista amor ali, a jovem parece ser uma estrangeira em seu próprio lar. Além do teor cômico, talvez seja essa relação entre pais e filhos e as diferenças geracionais que provoquem uma identificação em quem assiste.
O projeto foi aproveitado pela Cia. Bípede como um exercício em versatilidade e, ainda que a peça que mais se sobressaia esteja pautada por uma linguagem já conhecida pela trupe, o saldo é positivo. Cada espetáculo tem uma assinatura própria sem se desconectar do todo, compondo um tríptico. No fim das contas, quem mais teve a chance de demonstrar versatilidade em suas composições foram os membros da companhia que trocavam de personagem a cada noite.
Por fim, ainda que a trama tenha tons autobiográficos, é possível reparar em um protagonismo feminino para cada tomo da trilogia: as protagonistas de Wesker são idealistas, resilientes, afetuosas e conflitantes. Personagens tão interessantes que ganham vida nas mãos de atrizes como Nanda, Emília, Renata e Bea – com atuações cativantes, não há dúvida que o elenco feminino é o destaque desta empreitada.
A montagem realizada pela Cia Bípede da Trilogia Wesker realizou sua temporada de estreia no Espaço Parlapatões durante o mês de agosto. “Canja de Galinha” foi apresentada pela primeira vez em 06 de agosto, dando início a temporada; enquanto “Estou Falando de Jerusalém” foi apresentado pela última vez em 29 de agosto, encerrando a temporada. A tradução realizada por Felipe das três peças será publicada em um volume único pela editora Urdimento, você pode adquirir o livro ainda na pré-venda aqui. Para mais informações sobre novas temporadas, acompanhe o perfil da companhia no Instagram.
🗞️ Textos sobre Teatro publicados em outros veículos
Durante julho e agosto participei do 3º Curso Estadão de Jornalismo de Saúde. Durante o trainee tivemos a oportunidade de acompanhar três editorias diferentes dentro do jornal – no meu caso, a primeira foi no caderno de cultura. Foi assim que consegui emplacar minha primeira reportagem solo em um grande veículo de notícias (o texto até foi publicado na versão impressa do dia 12 de agosto!). Se você quiser ler a matéria na versão online, o link está aqui embaixo:
‘Trilogia Wesker’ ganha montagem inédita no Brasil, com três peças encenadas semanalmente; conheça
Até a próxima! 👋
Você também assistiu alguma dessas peças? Ficou animado para ver alguma delas? Conta pra mim nos comentários! Espero que você tenha gostado das minhas opiniões singelas - nesse caso, lembre-se de deixar seu like. A próxima edição chegará na sua caixa de entrada no dia 28 de setembro.
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